domingo, 29 de agosto de 2010

ORAÇÃO(importância vital...)!

A oração é «uma questão de vida ou morte», pois dela depende nossa relação de amor com Deus, porta para entrar na vida eterna.
A oração não é algo acessório ou opcional, mas uma questão de vida ou morte.
Somente quem reza, isto é, quem se confia a Deus com amor filial, pode entrar na vida eterna, que é o próprio Deus.
Bento XVI

segunda-feira, 26 de julho de 2010

OS CAMINHOS DE FÁTIMA !

PEREGRINAÇÃO NACIONAL DO MOVIMENTO DE FÁTIMA
17 e 18 de Julho de 2010

A peregrinação sempre ocupou um lugar importante na vida do cristão.
Para celebrar a sua fé, o cristão pôs-se a caminho dos lugares que indicam a memória do Senhor.
Faz-se a peregrinação, como um sinal da condição de discípulos de Cristo.
Os mensageiros de Ermesinde, pelo seu compromisso à oração e à conversão, sentem o apelo e rumam em júbilo pelos caminhos que nos levam a Fátima «Altar do Mundo».
João Paulo ll disse «Os Santuários são antenas da Boa Nova».
Foi Maria que nos veio trazer essa «Boa Nova» - essa Luz- a Luz da Mensagem que o seu Filho quis que a Mãe transmitisse.
O Santuário de Fátima é uma praça de encontro, altar de purificação - é Farol de Luz.
Deus é a fonte e o ponto de encontro!
Os peregrinos mensageiros de Ermesinde ali convergem para esse encontro numa fraternidade universal.
Na viagem preparam-se espiritualmente rezando as orações da manhã e logo depois o Terço do Rosário, meditando os Mistérios Gozosos e entoando Cânticos de Louvor à Virgem Maria: Senhora nós vos louvamos, Bendizemos o teu Nome, O povo de Deus te aclama…
E foi neste clima de «aleluia» que entrámos no Santuário!

Cumpre-se o programa da peregrinação:
___o acolhimento
___o desfile para a Capelinha
___a saudação a Nossa Senhora
___a reunião dos responsáveis das peregrinações
___o Rosário e a Procissão das velas
___a Missa das 23 horas presidida por D.Jacinto Botelho, bispo de Lamego, celebrada na Igreja da Santíssima Trindade.
O Templo convida ao silêncio que cada um faz do seu «eu».

O Senhor Bispo centra a sua homília no conteúdo da Mensagem de Fátima.
Frisando que «o mensageiro deve ser humilde e simples de coração, deve ser fiel à recitação do Terço, à penitência e oração».
Lembrou o Santo Padre quando disse; «Não tenhais medo».
Na linha da Mensagem referiu-se às «igrejas domésticas» não deixando, porém de aludir « à crise, às assimetrias, às pessoas que perderam a voz».
Salientou« a riqueza espiritual dos doentes» e apelou« para que estejamos mais comprometidos».Foi este o apelo final.
E, reconfortados com o momento espiritual que representa a Eucaristia, os mensageiros peregrinos recolheram-se ao seu íntimo e valioso silêncio, iniciando alguns a Via Sacra até aos Valinhos, momento de alto valor de interiorização, meditação e até reconciliação..
Pela noite dentro, a oração está presente em vários momentos na Basílica e na Capelinha.

Às 10 horas houve a oração do Rosário na Capelinha.
Às 11horas a celebração da Eucaristia, presidida por D.António Marto,bispo de Leiria- Fátima, Assistente geral do Movimento da Mensagem de Fátima, no Altar do Recinto.
È um convite de Deus para expressar a nossa Fé.
A Assembleia de peregrinos mensageiros enchem o harmonioso espaço do Santuário e aguardam o grande momento; a celebração da Eucaristia.
Os olhos de todos convergem para a frase inscrita no Altar: «Reparte com alegria, como a Jacinta».
O Senhor Bispo D. António Marto dá o mote da homilia: «Coragem».
Exortou os fiéis à coragem e prosseguiu; «Somos os hóspedes e convidados do Senhor».«É aqui que Ele se cruza connosco nos caminhos da vida».«Falta tempo para Deus; agendas cheias 100%, activismo febril, vidas vazias, sem profundidade, dispersas, correndo o risco do essencial».
«Cansados de nós mesmos, sentimos um vazio interior».
E prosseguindo disse:«Nem só de pão vive o homem mas também da Palavra de Deus que nos dá vida, luz confiança, paz, tranquilidade de espírito».
«Onde podemos escutar Deus?»_interroga o Senhor Bispo.
1_Na celebração da Sagrada Eucaristia;
2_Na oração de cada um;
3_Nos acontecimentos da vida;
E mais, nas opções e escolhas segundo o Evangelho.É preciso ter tempo para Deus!.
O celebrante proferiu palavras de incentivo à coragem persistência no apostolado, firmeza na Fé…terminando com palavras reconfortantes para a assembleia de fiéis.
Terminada a Eucaristia, os peregrinos plenos da Luz que receberam, despedem-se acenando lenços brancos, num adeus breve pois voltarão sempre.
As ressonâncias deste tempo de oração em Fátima, sentir-se-ão dentro de cada um de nós, pela necessidade imperiosa da ligação espiritual com Maria.
A Mensagem de Fátima continua cada vez mais actual…
Sejamos nós receptivos…vivamo-la…demos testemunho dela…
Saímos de casa em júbilo…pela partida ; em júbilo chegámos…com o Magnificat nos lábios e o coração pleno de Maria!

Para a concretização desta peregrinação foi muito importante o incansável empenho das mensageiras Lurdes, Elisabete Aurora e Adelina, e o valioso apoio espiritual do presidente do Movimento, Carlos Santos.

Olinda Morais
(Vogal do MMF da Paróquia de S. Lourenço de Ermesinde)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

EM NOITE DE LUZ, NOSSA SENHORA DE FÁTIMA "VISITOU" A SUA CIDADE - O PORTO !

No âmbito da Missão 2010, decorreu da Lapa até à Sé, em 31 de Maio (último dia do mês de Maio) uma bela procissão de velas, acompanhando a imagem da Virgem Peregrina de Fátima.
Noite cheia de luz e o perfume da Mãe que na sua "visita" à cidade do Porto, despertou o coração de milhares (muitos) que encheram as ruas principais da capital do norte desta terra de Santa Maria.
Uma bela noite em que se encerrou ao nível diocesano o mês de Maio, Mês de Maria e de Fátima.
Uma noite em que os filhos e filhas aos milhares mostraram o seu carinho pela Mãe.
Com as velas acesas e o terço das mãos os que ali acorreram, sentiram a presença muito clara da Mãe do Bom Conselho e Admirável.
Dir-se-ia que o sempre tocante Santuário de Fátima veio até ao Porto e assim os filhos desta cidade e arredores puderam estar em casa, acolhendo a Mãe que veio a todos visitar e encher de esperança.
As palavras do Bispo do Porto muito claras e concretas foram um verdadeiro desafio para todos - o dever cristão de sermos todos visitadores ou seja missionários, da caridade para com todos, especialmente os que mais precisam - doentes, idosos, sós, abandonados, crianças, pobres, dsempregados, tristes....
Noite inesquecível de Luz e Amor da Mãe para com os filhos.
Obrigado Santa Mãe de Deus.
Roga a Teu amado Filho por todos nós.
Ensina-nos a chegar até Ele - Jesus Cristo, Fonte de Luz e Vida.

Fotos: Diocese do Porto

domingo, 16 de maio de 2010

PAPA CONFESSOU «EMOÇÃO» SENTIDA EM FÁTIMA !

Bento XVI falou aos peregrinos presentes na Praça de São Pedro

Bento XVI confessou hoje ter sido “emocionante” ver a multidão que se reuniu à sua volta em Fátima, durante a sua primeira viagem a Portugal.
“Foi emocionante para mim ver, em Fátima, a imensa multidão que na escola de Maria rezou pela conversão dos corações”, disse o Papa perante largas dezenas de milhares pessoas reunidas na Praça de São Pedro.
Lembrando a sua viagem ao nosso país, de 11 a 14 de Maio, Bento XVI agradeceu “à Virgem Maria, que nos dias passados pude venerar no Santuário de Fátima, pela sua protecção materna durante a intensa peregrinação cumprida em Portugal”.
Sem nunca ter falado em português, o Papa voltaria ao tema da viagem, já em francês, convidando todos, “em particular os padres” a colocar a sua confiança “na intercessão da Virgem Maria”.
Fonte: Agência Ecclesia

sábado, 15 de maio de 2010

12 DE MAIO, ERMESINDE, NOITE DE LUZ E LOUVOR A MARIA EM COMUNHÃO COM O PAPA BENTO XVI (Peregrino em Fátima) !

Na noite de 12 de Maio, decorreu na cidade de Ermesinde, uma noite de luz e de louvor a Maria.
Às 21h saíam dos lugares da Bela, Bom Pastor, Costa, Formiga (Stª Rita), Gandra, Sampaio, Saibreiras, Sonhos e Soutinho, outras tantas procissões de velas, acompanhando o andor que transportava a imagem da Virgem.
Todas convergiram, após passarem por diversas artérias da cidade, para o largo da igreja matriz, onde à mesma hora se rezava e cantava em louvor da Rainha de Portugal, que invocamos sob o nome de Nossa Senhora de Fátima. E assim esse altar do mundo (no dizer de Pio XI) se entendia também até à nossa cidade.
Manifestação muito bela de entrega filial à Mãe de Jesus e nossa Mãe.
O Terço (qual tesouro a descobrir conforme nos disse o Papa João Paulo II) era meditado e rezado por todos.
E a luz (lembrando o Baptismo) ia iluminando os rostos, o caminho e as casas por onde passava a Senhora, levada em ombros.
Junto à casa da igreja decorreu uma Celebraçao Mariana, muito participada e com os presentes cheios de alegria se entregavam à protecção e conselho da Mãe.
Por todos se rezou, apelando à intercessão da Virgem Santa Maria:

Pelo Papa Bento XVI, peregrino de Fátima, nesta noite de luz,
para que o exemplo dos pastorinhos de Fátima
nos estimule a acolhê-lo com afecto e a aderir à sua mensagem,
oremos, por intercessão de Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.

Por todos bispos, presbíteros e diáconos,
para que amem a Deus de todo o coração,
e exerçam o seu ministério imitando a Cristo, Bom Pastor,
oremos, por intercessão de Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.

Pelos párocos do mundo inteiro e pelos leigos que colaboram com eles
para que a recordação deste Ano Sacerdotal os leve a descobrir
espaços cada vez mais amplos de cooperação na missão comum de toda a Igreja,
oremos, por intercessão de Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.

Pelas famílias cristãs da nossa paróquia,
para que, ao longo deste Ano Sacerdotal,
façam dos seus lares um templo onde Deus é adorado sobre todas as coisas,
oremos, por intercessão de Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.

Para que os doentes, idosos, sós e abandonados da nossa cidade
sintam junto deles a presença carinhosa dos cristãos
e descubram, em Deus, a fonte de toda a esperança,
oremos, por intercessão de Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.

Pelas crianças e jovens da nossa cidade,
para que encontrem em Cristo e sua Mãe o ideal das suas vidas,
oremos, por intercessão de Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.

Por todos nós aqui presentes
para que Deus nos dê a graça imitar a simplicidade dos pastorinhos
e a humildade da Mãe de Jesus,
oremos, por intercessão da Virgem Maria.
R/Interceda por nós a cheia de graça.
Momento muito belo e sentido foi a entrega aos pés da imagem da Virgem, pelo P. João Peixoto, pároco da nossa comunidade, das necessidades, aflições, alegrias e tristezas de todos, consagrando assim a cidade e os seus habitantes à protecção de Nossa Senhora.
Foi uma noite muito bela e a Virgem (a Flor mais bela surgida da criação, conforme Bento XVI afirmou) foi a estrela mais brilhante e luminosa.
Entoando o cântico do Adeus à Virgem, despedimo-nos da Mãe, confiados certeza da sua atenção dedicada de Mãe e com a nossa esperança mais renovada.


Fotos: Abílio Cardoso (Travagem - Ermesinde)

14 de Maio de 2010 - SAUDAÇÃO AOS FIÉIS REUNIDOS NA AVENIDA DOS ALIADOS PALAVRAS DO PAPA BENTO XVI

Câmara Municipal do Porto

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Queridos Irmãos e Amigos,

Sinto-me feliz por me encontrar entre vós e agradeço o festivo e cordial acolhimento que me reservastes no Porto, a «Cidade da Virgem». À sua protecção materna, confio as vossas vidas e famílias, as vossas comunidades e estruturas ao serviço do bem comum, nomeadamente as universidades desta cidade cujos estudantes se reuniram e me fizeram saber da sua gratidão e adesão ao magistério do Sucessor de Pedro.

Obrigado pela presença e pelo testemunho da vossa fé. Agradeço novamente a quantos cooperaram de diversos modos para a preparação e a realização desta minha visita, para a qual vos preparastes sobretudo com a oração. Teria acedido de boa vontade ao convite para prolongar a minha permanência na vossa cidade, mas não me é possível. Permiti, pois, que parta, abraçando-vos a todos carinhosamente em Cristo, nossa Esperança, enquanto vos abençoo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de Maio de 2010 - SANTA MISSA COM O PAPA BENTO XVI (10º ANIVERSÁRIO DA BEATIFICAÇÃO DE JACINTA E FRANCISCO, PASTORINHOS DE FÁTIMA) !

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Esplanada do Santuário de Fátima Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Queridos peregrinos,

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta «casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo», de que a Igreja, de que os sacerdotes «amam» Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.

São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.

Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilónia, o povo de Deus exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus» (Is 61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem

Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque «a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 1, 47.50).

Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).

Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.

Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – «tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima.



VISITA DO PAPA BENTO XVI À CAPELINHA DAS APARIÇÕES - 12 de Maio de 2010 !

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA

Santo Padre:

Senhora Nossa e Mãe de todos os homens e mulheres, aqui estou como um filho que vem visitar sua Mãe e o faz na companhia de uma multidão de irmãos e irmãs.
Como sucessor de Pedro, a quem foi confiada a missão de presidir ao serviço da caridade na Igreja de Cristo e de confirmar a todos na fé e na esperança, quero apresentar ao vosso Coração Imaculado as alegrias e esperanças e também os problemas e as dores de cada um destes vossos filhos e filhas, que se encontram na Cova da Iria ou nos acompanham de longe.
Mãe amabilíssima, Vós conheceis cada um pelo seu nome, com o seu rosto e a sua história, e a todos quereis com a benevolência maternal que brota do próprio coração de Deus Amor. A todos confio e consagro a Vós, Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe.

Cantores e assembleia:
Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 1)

Santo Padre:

O Venerável Papa João Paulo II, que Vos visitou três vezes, aqui em Fátima, e agradeceu a «mão invisível» que o libertou da morte no atentado de treze de Maio, na Praça de São Pedro, há quase trinta anos, quis oferecer ao Santuário de Fátima uma bala que o feriu gravemente e foi posta na vossa coroa de Rainha da Paz. É profundamente consolador saber que estais coroada não só com a prata e o oiro das nossas alegrias e esperanças, mas também com a bala das nossas preocupações e sofrimentos.
Agradeço, Mãe querida, as orações e os sacrifícios que os Pastorinhos de Fátima faziam pelo Papa, levados pelos sentimentos que lhes infundistes nas aparições. Agradeço também todos aqueles que, em cada dia, rezam pelo Sucessor de Pedro e pelas suas intenções para que o Papa seja forte na fé, audaz na esperança e zeloso no amor.

Cantores e assembleia:
Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 2)

Santo Padre:

Mãe querida de todos nós, entrego aqui no vosso Santuário de Fátima, a Rosa de Oiro que trouxe de Roma, como homenagem de gratidão do Papa pelas maravilhas que o Omnipotente tem realizado por Vós no coração de tantos que peregrinam a esta vossa casa maternal.
Estou certo que os Pastorinhos de Fátima, os Beatos Francisco e Jacinta e a Serva de Deus Lúcia de Jesus nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo.

Cantores e assembleia:
Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 5)