segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

DIA MUNDIAL DO DOENTE - 11 de Fevereiro de 2008


Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial do Doente

"Valorizar plenamente" a coincidência proposta pelo calendário 2008 dos eventos eclesiais que prevê, entre outros, a celebração do 150º aniversário das aparições de Lourdes, na França, e o Congresso eucarístico internacional do Québec, no Canadá, em Junho próximo. Foi o que pediu Bento XVI na sua Mensagem para o Dia Mundial do Doente, de 11 de Fevereiro próximo, dia das aparições da Virgem na gruta de Massabielle.

Para o pontífice, há uma "estreita ligação" entre o "Mistério eucarístico, o papel de Maria no projecto salvífico e a realidade da dor e do sofrimento do homem".

De um lado, a Eucaristia que, ao contemplar o sacrifício de salvação de Cristo, estila a paz no coração de quem, embora enfermo, vive a sua dor aberto à fé. De outro lado, Nossa Senhora, considerada por quem sofre a mãe consoladora por excelência.

Sobre esse vínculo espiritual entre o sacrifício de Cristo e Sua Mãe, Bento XVI baseia a Mensagem para o Dia Mundial do Doente 2008, tradicionalmente fixada para 11 de Fevereiro, dia no qual a jovem Bernadete Soubirous viu aparecer a "Branca Senhora" numa gruta rochosa da zona rural de Lourdes.

E justamente essa gruta, que se tornou um lugar de oração e um símbolo de esperança para milhões de doentes, será o centro _ até o dia 8 de Dezembro deste ano _ do Jubileu pelos 150 anos das aparições da Imaculada Conceição.

Meditar sobre ela _ escreve o Papa na Mensagem _ oferece aos doentes um primeiro ensinamento: "Deixar-se atrair pelo 'sim' que a uniu admiravelmente à missão de Cristo, redentor da humanidade _ afirma _ é deixar-se tomar e conduzir por suas mãos, para pronunciar, por sua vez, o próprio 'fiat' à vontade de Deus, com toda a existência entrelaçada de alegrias e tristezas, de esperanças e desilusões, consciente de que as provações, a dor e o sofrimento tornam a nossa peregrinação na terra rica de sentido".

Todavia _ prossegue Bento XVI _ "não se pode contemplar Maria sem ser atraídos por Cristo", e essa ligação _ explica _ "a percebemos, de modo misterioso, no Sacramento da Eucaristia". Eis o motivo pelo qual, em Lourdes _ constata o Santo Padre _ a liturgia eucarística é uma "forte e constante evocação", junto com as frequentes adorações ao Santíssimo Sacramento e as bênçãos aos doentes.

Ademais, o tema do próximo Congresso eucarístico internacional programado em terra canadense, evidenciando a Eucaristia como "dom de Deus para a vida do mundo", chega a suscitar nos cristãos _ afirma o pontífice _ "uma atenção amorosa pelos sofredores e pelos doentes", porque a Eucaristia "impele todo fiel a fazer-se 'pão partilhado' para os outros".

Portanto, "é justamente da Eucaristia" _ reflecte Bento XVI _ que a pastoral da saúde "deve adquirir a força espiritual necessária para socorrer eficazmente o homem e ajudá-lo a compreender o valor salvífico do próprio sofrimento".

O Papa conclui a mensagem convidando, sobretudo, a valorizar "plenamente" o que define como a "feliz coincidência" entre os 150 anos das aparições de Lourdes e o Congresso eucarístico internacional. Depois, invoca a protecção de Maria sobre aqueles que são provados pela enfermidade, sobre os agentes sanitários, sobre os agentes da pastoral da saúde, ou seja _ escreve _ sobre "todos que com efectiva dedicação se ocupam em servir, no corpo e na alma, os doentes e os necessitados".

Bento XVI diz ainda que a dor, acolhida com fé, se torna a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor de Jesus e para alcançar, com Ele, a paz e a felicidade da Sua Ressurreição.


Para ler a Mensagem do Papa Bento XVI na íntegra:

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

domingo, 30 de dezembro de 2007

1º JANEIRO DE 2008 - DIA MUNDIAL DA PAZ - SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2008

FAMÍLIA HUMANA, COMUNIDADE DE PAZ


1. NO INÍCIO DE UM ANO NOVO, desejo fazer chegar meus ardentes votos de paz, acompanhados duma calorosa mensagem de esperança, aos homens e mulheres do mundo inteiro; faço-o, propondo à reflexão comum o tema com que abri esta mensagem e que me está particularmente a peito: Família humana, comunidade de paz. Com efeito, a primeira forma de comunhão entre pessoas é a que o amor suscita entre um homem e uma mulher decididos a unir-se estavelmente para construírem juntos uma nova família. Entretanto, os povos da terra também são chamados a instaurar entre si relações de solidariedade e colaboração, como convém em membros da única família humana: « Os homens – sentenciou o Concílio Vaticano II – constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro género humano (Act 17, 26); têm também todos um só fim último, Deus ».(1).


segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

é NATAL, DEUS encarnou no seio da VIRGEM MARIA e Se fez HOMEM...


No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio junto de Deus.
Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu.
Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.

UM SANTO E FELIZ NATAL DE JESUS CRISTO

sábado, 8 de dezembro de 2007

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA (Padroeira de Portugal)



Imaculada Conceição
O dogma proclamado a 8 de Dezembro de 1854 por Pio IX declara a santidade da Virgem Maria desde o primeiro momento da sua existência

1. O dogma da Imaculada Conceição, proclamado a 8.12.1854 por Pio IX (Bula “Ineffabilis Deus”) declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, desde a sua Conceição, ou seja, que ela foi preservada desde sempre da mácula do pecado original, no qual nascem todos os filhos de Adão. Enquanto estes estão privados da graça divina, a Virgem Maria foi toda pura, santa e imaculada desde o início da sua vida. Esta foi desde sempre a convicção profunda da Igreja, que viu na Virgem Maria a ‘Nova Eva’ (S.Ireneu).

2. Apesar da sua reconhecida devoção a Nossa Senhora, homens como S. Bernardo, S. Alberto Magno, S. Boaventura e S. Tomás tiveram dificuldade em admitir a Imaculada Conceição, porque difícil de conciliar com o dogma da universalidade da Redenção.

Proclamar a Imaculada Conceição parecia implicar retirar a Virgem Maria da órbita da Redenção em Jesus Cristo, a qual, por ser necessária e absoluta, era tão universal como o pecado original. Se a Virgem Maria não estivesse incluída no número dos que contraíam o pecado de Adão, ficava então igualmente excluída da redenção, e esta não seria universal, pois não abrangeria todos os descendentes de Adão.

Perante esta alternativa, foram como que obrigados a negar o privilégio de Maria até ser possível conciliá-lo com o dogma da universalidade da redenção em Cristo.

3. A solução do problema foi dada pelo beato Duns Escoto (séc. XIV), segundo o qual a Imaculada Conceição não exclui a Virgem Maria da redenção, porque ela foi preventivamente redimida pelo seu próprio Filho. Ela foi antecipadamente redimida e por conseguinte preparada para a sua divina maternidade. Esta explicação acabou por ser recebida na teologia e nas declarações do magistério.

4. Como todos os dogmas, também a ‘Imaculada Conceição’ foi a solene proclamação da fé do povo de Deus, do sentir da Igreja, do que nós poderíamos chamar a ‘devoção popular’. A ‘Imaculada Conceição’ caracteriza o catolicismo em Portugal, tendo sido sob esta invocação Nossa Senhora proclamada por D. João IV Rainha e Padroeira de Portugal, no dia 25 de Março de 1646, título que nenhum regime, mesmo o republicano e o que surgiu de Abril de 1974, foi capaz de abolir.

Na Universidade de Coimbra, ela é a Padroeira, ainda hoje, e houve tempos em que defender esta verdade da fé era título de honra e compromisso de todo o lente daquela Universidade! Mas que significa para nós hoje este admirável mistério?

5. O dogma da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria foi a solene confirmação do mistério central da fé. A Virgem Maria foi pensada por Deus como a mediadora do mistério da Incarnação.

Porque chamada a ser a mediadora deste mistério, a Virgem Maria não podia ser pensada senão como a primeira totalmente redimida, e como a primeira redimida é que ela concebeu sem pecado o Filho de Deus, porque sem pecado foi concebida.

Ao acolher a Palavra do Anjo, a Virgem Maria permitiu que a Palavra eterna de Deus assumisse a carne do pecado e por causa desta assunção ela foi previamente redimida pelo seu próprio Filho. Por ela o Verbo de Deus entra na história, inaugurando o tempo da Graça e da Liberdade dos filhos de Deus.

A Virgem Maria abriu a porta do mundo para o Advento do Deus redentor, na carne da humanidade. Ela é por excelência a primeira na ordem da Redenção.

O dogma da Imaculada Conceição proclama que ela desde o início do seu ser não foi apenas envolvida pelo mistério da Graça da redenção prometida, mas a primeira redimida pelo seu Filho que ia gerar; este dogma toca, portanto, no centro do mistério da Redenção.

A ‘Imaculada Conceição’ mostra a Virgem Maria como a primeira na ordem da Redenção, Redenção esta que não pode acontecer sem ela. Sem a Imaculada Conceição da Virgem Maria não seria pensável a redenção, como vitória divinizante da natureza humana sobre o pecado do mundo.

6. A Virgem Maria é a primeira redimida: depois dela e por meio dela, todos são chamados a participar na vitória da redenção, através do baptismo, pelo qual o homem é regenerado, e chamado também a ser santo e imaculado na presença de Deus.

A Imaculada Conceição eleva a Virgem Maria a paradigma da antropologia cristã. Ela manifesta de um modo eminente a transfiguração do homem que se opera pela participação no mistério de Cristo, com o qual por graça o homem é chamado a configurar-se.

A Imaculada Conceição da Virgem Maria revela a ontológica transfiguração do ser e da existência na relação com o Verbo de Deus encarnado. Paradigma da antropologia cristã, a Imaculada Conceição é o caso eminente da redenção pela graça, a que ela corresponde, na plena liberdade do ‘ecce ancilla’, no mistério da Anunciação. Não apenas do ‘homem novo’, mas também da Igreja.

Mariano, com certeza, o dogma da ‘Imaculada Conceição’ é também eclesial, porque nela se espelha o que é o mistério da Igreja a qual, tendo na Virgem Imaculada a sua figura excelsa (cf. LG 53; 63), é também santa e imaculada, Mãe e Virgem puríssima dos seus filhos gerados nas águas do baptismo.

Por isso, com razão na ‘Imaculada Conceição’, a Igreja e todos os fiéis exultam de alegria, talvez como em nenhum outro dia, porque aí está o exemplo das maravilhas de Deus na história, do que Ele pode fazer na Igreja e na vida de cada crente se como a Virgem Santa Maria cada qual se colocar na mesma atitude de filial obediência e de amor, naquele cujo Nome é grande e que grandes coisas realizou na sua humilde serva! Bem-aventurada a nação que se honra por tê-la como Mãe e Padroeira!

José Jacinto Ferreira de Farias, scj

terça-feira, 20 de novembro de 2007

RETIRO DE DOENTES...Fátima, 10 a 13 de Novembro de 2007


Decorreu no Santuário de Fátima, de 10 a 13 de Novembro de 2007, um retiro para doentes e deficientes físicos.
Orientou o retiro o Rev. Padre Manuel Antunes.

Estiveram presentes cerca de 100 pessoas, portadoras de doença e idosos, provenientes de várias paróquias da Diocese do Porto, entre as quais a de S. Lourenço de Ermesinde.

O Movimento da Mensagem de Fátima de Ermesinde, esteve presente com alguns doentes e as mensageiras de Fátima - Lurdes Monteiro, Aurora Carneiro e Elisabete Lima.

Do retiro constaram momentos de oração, adoração do S.S., celebrações Eucarísticas, os Sacramentos da reconciliação e da Unção dos Enfermos, projecção de filmes, meditação do Terço do Rosário, participação na procissão de velas, exercício da Via-Sacra nos Valinhos.

Foram ainda efectuadas visitas à Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e à novel Igreja da Santíssima Trindade.

O retiro terminou com a meditação do terço do Rosário, seguido da celebração da Eucaristia presidida pelo Senhor D. António Marto, Bispo da Diocese de Leiria-Fátima, na Capelinha das Aparições.

Deram a sua preciosa colaboração neste retiro 18 voluntários, empenhados em servir com amor e carinho os doentes, que reconhecidos dão sempre mais força a quem serve.

Foram quatro dias muito intensos espiritual e humanamente vividos no encontro com Deus, por Maria.


Lurdes Monteiro

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O SANTO PADRE E FÁTIMA (mensagem em 13 de Novembro de 2007)...


Esta manhã, 13 de Novembro, durante a Eucaristia da Peregrinação Mensal (de Novembro), no Santuário de Fátima, o Bispo de Leiria-Fátima, que presidiu à celebração, transmitiu aos peregrinos presentes a saudação e a bênção do Santo Padre Bento XVI.

Chegado ontem de Itália, após a visita ad Limina dos Bispos Portugueses, D. António Marto afirmou, na Capelinha das Aparições: “Saúdo-vos a todos de todo o coração. É-me particularmente grato poder-vos transmitir hoje, em primeira-mão, acabado de chegar de Roma, a bênção e a saudação do Santo Padre aos peregrinos de Fátima”.

D. António Marto repetiu, depois, a mesma saudação em língua italiana e em espanhol, vincando sempre “a grande alegria” que sentia por transmitir esta mensagem do Papa.

“O Santo Padre disse uma coisa muito linda sobre Fátima, que vou citar: «Apraz-me pensar em Fátima como escola de fé com a Virgem Maria por Mestra; lá ergueu Ela a sua cátedra para ensinar aos pequenos Videntes e depois às multidões as verdades eternas e a arte de orar, crer e amar. Na atitude humilde de alunos que necessitam de aprender a lição, confiem-se diariamente, a Mestra tão insigne e Mãe do Cristo total»”, afirmou D. António que nas restantes partes da homilia rogou aos peregrinos para que cultivem, à semelhança de Maria, a alegria, a entrega a Deus e a humildade.

“Que o nosso coração seja misericordioso com os outros, para que em todo o nosso ser – corpo, alma, sentimentos – feito de olhares, de palavras, de gestos e relações, possamos servir e irradiar esta ternura e esta misericórdia de Deus”, pediu o Bispo de Leiria-Fátima.

Referindo-se de novo às aparições em Fátima, a propósito da reflexão sobre a visita de Nossa Senhora à sua prima Isabel, o Prelado sublinhou que “As aparições aqui em Fátima são uma visitação de Maria à três crianças (Francisco, Jacinta e Lúcia), à Igreja e à Humanidade. São uma bênção e, por isso, fazemos memória viva dessa bênção todos os dias 13”.

Centro de Comunicação Social do Santuário de Fátima

domingo, 14 de outubro de 2007

FÁTIMA 90 ANOS DAS APARIÇÕES... (homilia do legado Pontifício Cardeal Tarciso Bertone ...13 Outubro)... SEJAMOS CRISTÃOS SEM MEDO...!


Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Amados Irmãos e Irmãs no Senhor!

Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio advertindo-a da chegada do Emanuel esperado; então, cheia do Espírito Santo, ela exclama: «Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). A mesma exclamação se eleva hoje desta assembleia à vista dos sinais de misericórdia que Deus Se dignou conceder a indivíduos, povos e nações, ao longo dos últimos 90 [noventa] anos, pela mediação da Mãe da Misericórdia aqui manifestada como Nossa Senhora do Rosário.

Conta-se que, em Fevereiro de 1918 [mil novecentos e dezoito], se encontraram na Câmara Eclesiástica do Patriarcado de Lisboa alguns sacerdotes e um jornalista católico, o qual criticara a exposição ali feita por um dos sacerdotes sobre o chamado «milagre do sol» no céu de Fátima quatro meses antes. Nisto apareceu uma veneranda figura sacerdotal do tempo, o Padre Cruz, a quem o jornalista, depois de lhe beijar a mão, perguntou em tom irónico: «Também viu bailar o sol no dia 13 [treze] de Outubro?». «Não – respondeu o Servo de Deus –, não vi o sol bailar em Fátima; não estava lá. Mas digo-lhe: Tenho enxugado tantas lágrimas a bailarem nos olhos (que é como quem diz no sol) de tantas dezenas de pecadores arrependidos sob o impulso do milagre de Fátima, que não me custa acreditar que o sol tenha bailado. Pois, à semelhança do que Nosso Senhor ensinou quando disse ser mais fácil um camelo entrar pelo fundo duma agulha do que um rico converter-se, também afirmarei que é mais fácil o sol ter bailado do que tantos e tantos pecadores se haverem convertido sem uma causa sobrenatural que os movesse».
Pois bem, estes sinais de Deus – reconhecidos e interpretados por quem de direito – não cessaram de multiplicar-se ao longo destas 9 [nove] dezenas de anos; não último deles, a partida para a Glória do Servo de Deus João Paulo II [segundo] rodeado duma multidão incalculável e com todos no coração enquanto repete para a Mãe de Misericórdia: «Totus tuus… Eu sou todo vosso, ó minha Rainha e minha Mãe, e tudo quanto tenho vos pertence». Hoje, tomados pela maravilha de quantos os viveram e sustentados pela esperança acesa nos corações simples e humildes de quem, à sua vista, acreditara, não podemos deixar de exclamar, num misto de gratidão e confusão: «Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?»

E, se veio ter comigo, manda a boa educação perguntar-lhe: «Que é que Vossemecê me quer? – “É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados” e Ela, tomando um aspecto mais triste, acrescenta: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”» (aparição de 13 de Outubro de 1917).

Isto é Fátima, amados irmãos e irmãs: conversão, emenda de vida, deixar de pecar, reparar a Deus ofendido no irmão. Isto é Fátima; não os sinais, ou pelo menos são secundários: passam para deixar lugar ao que significam, isto é, à vida nova de ressuscitados. Por isso, seria insensato continuar indefinidamente a pedir sinais, sem os discernir nem lhes dar crédito; sobre nós, penderia a censura do divino Mestre: «Esta geração perversa e infiel pretende um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra» (Mt 12, 39-40). O sinal de Deus é a ressurreição de Cristo e nossa: de facto, como ouvimos há pouco na segunda leitura, «a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, [Deus] restituiu-nos à vida com Cristo (…) e com Ele nos ressuscitou» (Ef 2, 5-6). Por isso, «eis o que vos digo e aconselho em nome do Senhor: (…) Deixai-vos renovar no mais íntimo do vosso espírito, adquirindo os hábitos do homem novo criado à imagem de Deus na justiça e santidade verdadeiras» (Ef 4, 17.23-24). Como o Beato Francisco, como a Beata Jacinta… como tantas e tantos outros que se entregaram ao Imaculado Coração de Maria, refúgio e caminho que conduz até Deus.

Com efeito, aqui Nossa Senhora não pediu para ser admirada, invocada, venerada… Quis gente «entregue»; pediu que os corações dos indivíduos, das nações e da humanidade inteira Lhe fossem «consagrados». Aqui desfraldou a sua bandeira que é um símbolo e um programa: o seu Coração Imaculado. Aqui se manifestou o Coração da mais doce das mães, pedindo a todos que unam o seu coração ao d´Ela, para darem ao mundo Jesus Cristo Salvador. E, acolhendo o seu convite, por toda a parte se formaram grupos e comunidades que despertaram da apatia de ontem e se esforçam por mostrar agora, ao mundo, o verdadeiro rosto do cristianismo. No Oriente e no Ocidente, o amor do Coração de Maria conquistou um lugar no coração dos povos e dá-lhes esperança e consolação.

Irmãos e irmãs, vós sois as primícias dessa grande seara aqui hoje consagrada no altar. Quando estendo o meu olhar por esta imensa assembleia à procura dos seus confins, parece-me vislumbrá-los naquela nuvenzinha de Elias (cf. 1 Re 18, 44) que se realizou cabalmente na humilde Jovem de Nazaré, Maria, cheia de graça, cheia de Deus. Foi por obra e graça do Espírito Santo que Ela gerou o Filho do Pai eterno e, por missão recebida na Cruz, Se tornou mãe de todos os redimidos; estes lembram incontáveis gotinhas de água que – atravessadas pela Luz de Cristo e, por Ele, atraídas e agregadas –, formam hoje a coluna de nuvem luminosa de Deus à cabeça da humanidade na sua travessia da história (cf. Ex 40, 38). Povo da Páscoa pelas sendas do mundo, confessamos com Maria que «a misericórdia [de Deus] se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 2, 50), multiplicando os semeadores da esperança e os construtores do Reino de Deus.

E tais sois vós, sacerdotes, cuja ordenação vos concede o poder de dispensar os dons da salvação; vós, consagrados, cujos votos fazem de vós testemunhas privilegiadas do único necessário; vós, fiéis leigos, de cujo seio jorram rios de água viva santificando o mundo nos vossos lares, no vosso trabalho e na sociedade inteira. Queridos peregrinos de Fátima, com grande alegria vos transmito a saudação que Sua Santidade Bento XVI [dezasseis] me confiou para todos vós, a começar pelo Bispo desta amada diocese de Leiria-Fátima, o Senhor Dom Antonio Marto, e terminar nos irmãos e irmãs doentes, que se encontram aqui ou estão unidos connosco pela rádio e a televisão, e cujas intenções são objecto particular das preces diárias do Santo Padre: Como sabem, Deus salvou o mundo numa cruz. O repouso, que não encontrou nos braços desta, deram-lho os braços de sua Mãe. E, no coração da Mãe, brilharam os primeiros alvores da Páscoa. Jesus ressuscitado sai ao encontro dos desanimados e diz: «Assim está escrito que deve ser. Toma a tua cruz e segue-Me!»

Numa carta datada de 4 [quatro] de Maio de 1943 [mil novecentos e quarenta e três], a Irmã Lúcia escreve este «recadito de Nosso Senhor»: Ele «deseja que se faça compreender às [pessoas] que a verdadeira penitência, que Ele agora quer e exige, consiste antes de tudo no sacrifício que cada um tem de se impor para cumprir com os próprios deveres religiosos e materiais» (Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, edição do P. António Maria Martins SJ, Porto 1973, pp. 447). Ora, já no Verão de 1916 [mil novecentos e dezasseis], o Anjo ensinara aos pastorinhos: «De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que [o Altíssimo] é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. (…) Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar». Queridos peregrinos, sem negar o valor dos sacrifícios e penitências voluntárias, sabei que a penitência de Fátima é a aceitação submissa da vontade de Deus a nosso respeito, que se traduz nos nossos deveres de estado. Alguém poderia observar: Mas, a fidelidade aos nossos deveres de estado não é o mínimo que se nos pode exigir? Será possível que uma obrigação tão elementar seja proposta como penitência suficiente, uma penitência salvadora, capaz de afastar os males que incumbem sobre a humanidade?

É possível, porque esta mobilização dos deveres de estado diz respeito a toda a gente. E o Evangelho no-lo mostra: ainda que nós fôssemos o servo com um único talento, isso não poderia servir de desculpa para a inactividade (Mt 25, 24-30). Infelizmente, um grande número de pessoas imagina que a vitória depende essencialmente do talento, da habilidade, do valor dos que escrevem nos jornais, dos que falam nas reuniões, dos que têm um papel mais visível e que seria suficiente animar e aplaudir estes chefes como se anima e aplaude os jogadores no estádio. Não existe erro mais temível e desastroso! Se os soldados algum dia chegassem a pensar que a vitória já não dependia deles mas somente do Estado Maior (com a desculpa de que se compõe de hábeis generais), esse exército marcharia de desastre em desastre, por muito maravilhosos que tivessem sido os planos de combate elaborados pelos seus chefes. Para evitar tal desastre no que se refere ao renascimento do homem para uma sociedade nova, o Céu exige o esforço, até o mais insignificante, dos servos mais humildes, dos servos com um só talento.

Assim, face aos pretensos senhores destes tempos (acham-se no mundo da cultura e da arte, da economia e da política, da ciência e da informação) que exigem e estão prontos a comprar, se não mesmo a impor, o silêncio dos cristãos invocando imperativos de uma sociedade aberta, quando na verdade lhe fecham todas as entradas e saídas para o Transcendente; e que, em nome de uma sociedade tolerante e respeitosa, impõem como único valor comum a negação de todo e qualquer valor real e permanente válido… Face a tais pretensões, o mínimo que podemos fazer é rebelar-nos com a mesma audácia dos Apóstolos perante idêntica pretensão dos senhores daquele tempo: «Não podemos calar o que vimos e ouvimos» (Act 4, 20)! E, se vos lançam à cara erros passados ou presentes de alguns filhos da Igreja, peço-vos: fazei penitência e reparai. Se vos acusam falsamente não poupando ofensas nem escárnios, peço-vos: rezai pelos vossos perseguidores e perdoai. Profundamente convictos da solidariedade da família humana, a tal ponto que dez justos na cidade de Sodoma tê-la-iam salvo (cf. Gn 18, 32), conservai no pensamento e no coração uma inquebrantável fé no amor misericordioso de Deus. O seu olhar pouse benévolo e propício sobre as vossas vidas, confiadas à Virgem Mãe para maior glória da Santíssima Trindade. Ámen.

domingo, 7 de outubro de 2007

7 de Outubro - FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO


Festa instituída pelo Papa São Pio V, como ação de graças pela prodigiosa vitória de Lepanto, obtida em 1571 pela armada católica, comandada por D. João d`Áustria, contra os turcos maometanos.

O Papa ordenara que, em toda a Cristandade, se rezasse o Rosário pedindo essa vitória que, segundos os cálculos humanos, parecia impossível.

A importância do Rosário nos nossos dias foi ainda destacada pelo servo de Deus João Paulo II: "Esta oração simples e profunda, cara aos indivíduos e às famílias, outrora muito difundida entre o povo cristão. Que alegria seria se também hoje fosse redescoberta e valorizada, especialmente no interior das famílias! Ela ajuda a contemplar a vida de Cristo e os mistérios da salvação; graças à incessante invocação da Virgem, afasta os germes da desagregação familiar; é o vínculo seguro de comunhão e paz. Exorto a todos, e de modo especial às famílias cristãs, a encontrar no santo Rosário o conforto e o sustento quotidiano para caminhar nas vias da fidelidade" .


(João Paulo II, alocução de 25/10/98).

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

OUTUBRO, mês do ROSÁRIO (por Maria a Jesus)...


Maria é Mãe da Igreja,
não só por ser mãe de Jesus Cristo
e sua íntima colaboradora na economia da graça,
quando o Filho de Deus n’Ela assumiu
a natureza humana
para libertar o homem do pecado
mediante os mistérios da sua carne,
mas também porque brilha à comunidade dos eleitos
como admirável modelo de virtude.


Depois de ter participado no sacrifício redentor
de seu Filho,
e de maneira tão íntima que mereceu ser por Ele
proclamada Mãe
não somente do discípulo João
mas do Género humano,
porque aquele de algum modo representado,
Ela continua agora no Céu
a desempenhar a sua função materna de cooperadora
no nascimento e desenvolvimento da vida divina
em cada alma humana.


Paulo VI