quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O XVIII DIA MUNDIAL DO DOENTE 2010 - 11 DE FEVEREIRO DE 2010

Caros irmãos e irmãs

No próximo dia 11 de Fevereiro, memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes, celebrar-se-á na Basílica Vaticana o XVIII Dia Mundial do Doente. A feliz coincidência com o 25º aniversário da instituição do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde constitui mais um motivo para dar graças a Deus do caminho até agora percorrido no sector da pastoral da saúde. Formulo votos de coração a fim de que esta celebração seja ocasião para um impulso apostólico mais generoso ao serviço dos enfermos e de quantos se ocupam deles.

Efectivamente, com o anual Dia Mundial do Doente a Igreja tenciona sensibilizar profundamente a comunidade eclesial a respeito da importância do serviço pastoral no vasto mundo da saúde, serviço que faz parte integrante da sua missão, uma vez que se inscreve no sulco da mesma missão salvífica de Cristo. Ele, Médico divino, "passou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Diabo" (Act 10, 38). O sofrimento humano tem sentido e é plenamente esclarecido no mistério da Sua paixão, morte e ressurreição. Na Carta Apostólica Salvifici doloris, o Servo de Deus João Paulo II usa palavras iluminadoras a este propósito. "O sofrimento humano escreveu ele atingiu o seu vértice na paixão de Cristo; e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimensão completamente nova e entrou numa ordem nova: ele foi associado ao amor... àquele amor que cria o bem, tirando-o mesmo do mal, tirando-o por meio do sofrimento, tal como o bem supremo da Redenção do mundo foi tirado da Cruz de Cristo e nela encontra perenemente o seu princípio. A Cruz de Cristo tornou-se uma fonte, da qual brotam rios de água viva" (n. 18).

Na Última Ceia, antes de voltar para o Pai, o Senhor Jesus inclinou-se para lavar os pés aos Apóstolos, antecipando o supremo acto de amor da Cruz. Com este gesto, convidou os seus discípulos a entrar na sua mesma lógica do amor que se entrega, especialmente aos mais pequeninos e aos necessitados (cf. Jo 13, 12-17). Seguindo o seu exemplo, cada cristão é chamado a reviver, em contextos diferentes e sempre novos, a parábola do bom Samaritano que, passando ao lado de um homem abandonado meio morto pelos salteadores na margem da estrada, "vendo-o, encheu-se de piedade. Aproximou-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria vontade, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: "Trata bem dele, e o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar"" (Lc 10, 33-35).

Na conclusão da parábola, Jesus diz: "Vai, e também tu faz do mesmo modo" (Lc 10, 37). Ele dirige-se também a nós com estas palavras. Exorta-nos a inclinar-nos sobre as feridas do corpo e do espírito de muitos dos nossos irmãos e irmãs que encontramos pelas estradas do mundo; ajuda-nos a compreender que, com a graça de Deus acolhida e vivida na vida de cada dia, a experiência da enfermidade e do sofrimento pode tornar-se escola de esperança. Na verdade, como afirmei na Encíclica Spe salvi: "Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com amor infinito" (n. 37).

Já o Concílio Vaticano II evocava a importante tarefa da Igreja, de cuidar do sofrimento humano. Na Constituição dogmática Lumen gentium, lemos que "tal como Cristo... foi enviado pelo Pai "para anunciar a boa nova aos pobres, para proclamar a libertação aos cativos" (Lc 4, 18), "para procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10), de modo semelhante a Igreja ama todos os angustiados pelo sofrimento humano, reconhece mesmo a imagem do seu Fundador, pobre e sofredor, nos pobres e nos que sofrem, esforça-se por aliviar a sua indigência e neles deseja servir a Cristo" (n. 8). Esta acção humanitária e espiritual da Comunidade eclesial para com os doentes e os sofredores, ao longo dos séculos, manifestou-se de múltiplas formas e em numerosas estruturas médicas, também de cariz institucional. Gostaria de evocar aqui aquelas que são geridas directamente pelas dioceses e as que nasceram da generosidade de vários Institutos religiosos. Trata-se de um "património" precioso, correspondente ao facto de que "o amor tem necessidade também de organização enquanto pressuposto para um serviço comunitário ordenado" (Encíclica Deus caritas est, 20). A criação do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, há vinte e cinco anos, faz parte de tal solicitude eclesial pelo mundo da saúde. E apraz-me acrescentar que, no actual momento histórico-cultural, se sente ainda mais a exigência de uma presença eclesial atenta e escrupulosa ao lado dos doentes, como também de uma presença na sociedade capaz de transmitir os valores evangélicos de maneira eficaz, em vista da salvaguarda da vida humana em cada uma das fases, desde a sua concepção até ao seu fim natural.

Gostaria de retomar aqui a Mensagem aos pobres, aos doentes e a todos aqueles que sofrem, que os Padres conciliares dirigiram ao mundo, no encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II: "Ó vós todos, que sentis mais duramente o peso da cruz – disseram eles – ...vós que chorais... vós, desconhecidos da dor, tende coragem, vós sois os preferidos do reino de Deus, que é o reino da esperança, da felicidade e da vida; vós sois os irmãos de Cristo sofredor; e com Ele, se quiserdes, salvareis o mundo!" (Ench. Vat., I, n. 523* [pág. 313]). Agradeço de coração às pessoas que, todos os dias, "desempenham o serviço em prol dos doentes e dos sofredores", fazendo com que "o apostolado da misericórdia de Deus, ao qual se dedicam, corresponda cada vez melhor às novas exigências" (João Paulo II, Constituição Apostólica Pastor bonus, art. 152).

Neste Ano sacerdotal, o meu pensamento dirige-se particularmente a vós, queridos sacerdotes, "ministros dos enfermos", sinal e instrumento da compaixão de Cristo, que deve chegar a cada homem assinalado pelo sofrimento. Estimados presbíteros, convido-vos a não vos poupardes no gesto de lhes oferecer cuidado e conforto. O tempo transcorrido ao lado de quem se encontra na prova revela-se fecundo de graça para todas as demais dimensões da pastoral. Enfim, dirijo-me a vós prezados doentes, enquanto vos peço que rezeis e ofereçais os vossos sofrimentos pelos sacerdotes, a fim de que possam manter-se fiéis à sua vocação, e o seu ministério seja rico de frutos espirituais, em benefício da Igreja inteira.

Com estes sentimentos, imploro sobre os enfermos, assim como sobre aqueles que os assistem, a salvaguarda materna de Maria, Salus Infirmorum, e a todos concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 22 de Novembro de 2009, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.
BENEDICTUS PP. XVI

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O GRITO DE SOCORRO DO HAITI !

Neste início de um novo ano, abateu-se sobre o povo do Haiti uma tragédia natural, que matou milhares de irmãos e cuja dimensão ainda não se conhece na totalidade.
Um povo pobre, muito pobre e agora mais esta tremenda adversidade.
Precisamos todos de ajudar. Afinal são nossos irmãos.
Sejamos solidários.
http://caritas.org/

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

NATAL DO SENHOR !


Há dois mil anos, em Belém, na Palestina, foi Natal.
Por vezes, as palavras são-nos tão familiares que nem nos lembramos de as relacionar com a sua origem. Natal significa nascimento. Naquele dia foi apenas mais um nascimento. Um jovem casal alegrou-se com o parto de uma criança. Mais uma, na longa existência da humanidade.
Segundo os homens de fé, a mãe da criança era - e continuou e continua - virgem; o pai, um homem excepcionalmente virtuoso, José de seu nome, conseguiu fé para acreditar que o filho da sua jovem esposa, Maria, que ele não gerara, era obra de Deus! O bebé chamou-Se Jesus. Foi mais um a nascer, mas não apenas mais um.
Desde os princípios da existência humana que o Seu nascimento era aguardado, porque Ele era, e é, a salvação para todos os homens, de todas as gerações. Ele redime-nos dos nossos pecados para nos conduzir à eternidade gloriosa que a Deus pertence. Se foi pela Cruz que Jesus nos salvou, foi pela sua concepção e nascimento, através da Virgem Maria, que Jesus chegou à Cruz.
É preciso cantar o Amor de Deus que, no Natal, se entrega aos homens.
O Filho veio dar testemunho do Pai, para que nós - dando testemunho d'Ele -, sejamos também testemunhas do Pai.
Anunciar o Natal, é levar Deus e a sua infinita bondade aos corações dos homens.
Todos os homens e mulheres baptizados no Espírito Santo são profetas e, por isso, têm como missão, não só viver o Natal, mas também anunciá-lo, professar publicamente a sua fé na Encarnação de Deus.

sábado, 19 de dezembro de 2009

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO Ó !



Bendita sejais, Maria, Virgem e Mãe!
O Senhor vos deu a plenitude da graça e da alegria
na doce espera de Jesus.
Nós vos pedimos pelos esposos que desejam o dom de um filho:
ajudai-os nesta esperança a apoiarem-se no caminho da vida.
Lembrai-vos dos que abriram o seu coração à adopção,
para que se mantenham alegres na sua generosidade.
Olhai com amor, Mãe querida,
para as mulheres que vivem, como vós vivestes,
a maravilha de acolher no seu ventre uma vida nova
e esperam ansiosas o momento ditoso
em que ouvirão o primeiro vagido do seu bebé
para vos darem graças pelo dom maravilhoso
que o Criador lhes oferece.
Velai especialmente, Virgem da ternura
pelas mulheres que enfrentam sós este momento,
sem apoio e sem carinho, para que possam sentir o amor do Pai
e descobrir que cada criança que vem ao mundo é uma bênção.
Abençoai também aqueles que já receberam
os nomes formosos de «pai» ou de «mãe»,
para que convosco dêem graças a Deus pela sua grandeza
manifestada no menino recém-nascido.
Finalmente, recolhei-nos a todos no grande abraço do Espírito Santo,
para que mostremos ao mundo que podemos viver como irmãos,
porque todos somos filhos de Deus.

Ámen.
Fonte: Boletim Igreja Viva (Paróquia de S. Lourenço de Ermesinde)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

Mais do que qualquer outro tempo do Ano Litúrgico, o Advento é tempo de Maria, pois é nele que A vemos em mais íntima relação com o Seu filho, ao Qual está unida «por vínculo estreito e indissolúvel». Se o Senhor veio ao meio dos homens, se Ele vem ainda, é por meio de Maria. N’Ela se cumpre, na verdade, o mistério do Advento.
Embora, na sua origem e no seu princípio, a Solenidade da Imaculada Conceição, que vem do século XI, não nos apareça em ligação com o Advento, contudo ela é uma verdadeira festa do Advento. Ela é a aurora que precede, anuncia e traz em si o Dia novo, que está para surgir no Natal.
Enaltecendo a Virgem Maria, esta Solenidade, em vez de nos desviar do Mistério de Cristo, leva-nos, pelo contrário, a exaltar a obra da Redenção, ao apresentar-nos Aquela que foi a primeira a beneficiar dos seus frutos, tornando-se a imagem e o modelo segundo o qual Deus quer refazer o rosto da Humanidade, desfigurado pelo pecado.
Assim como na aurora se projecta a luz do sol, de cujos raios ela tira a vida, assim em Maria Imaculada se reflecte o poder do Salvador que está para vir: a Seus méritos Ela deve, com efeito, o ter sido «remida de modo mais sublime».
Festa de Advento, a Solenidade da Imaculada Conceição constitui uma bela preparação para o Natal.
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Virgem Santíssima,
que fostes concebida sem o pecado original
e por isto merecestes o título
de Nossa Senhora da Imaculada Conceição
e por terdes evitado todos os outros pecados,
o Anjo Gabriel vos saudou com as belas palavras:
"Ave Maria, cheia de graça";
nós vos pedimos que nos alcanceis
do vosso divino Filho o auxílio necessário
para vencermos as tentações
e evitarmos os pecados e,
já que vós chamamos de Mãe,
atendei-nos com carinho maternal
e ajudai-nos a viver como dignos filhos vossos.
Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

SANTOS PORQUE ELE É SANTO !


“Sede santos, porque Eu sou santo” – diz-nos o Senhor.
Porque nos dará Deus uma ordem assim?
É que nós somos seus filhos; e, se o Pai é santo, os filhos devem sê-lo também.
Só os santos podem esperar a felicidade de ir gozar da presença de Deus, que é a própria santidade.
Com efeito, ser cristão e viver em pecado é uma contradição monstruosa.
Um cristão deve ser um santo.
Eis a verdade que a Igreja não cessa de nos repetir; e, a fim de a gravar nos nossos corações, apresenta-nos um Deus infinitamente santo, a santificar uma multidão infinita de santos...
Nós podemos ser santos e devemos trabalhar para chegar a sê-lo.
Os santos foram mortais como nós, fracos e sujeitos às tentações como nós; nós temos os mesmos auxílios, as mesmas graças, os mesmos sacramentos; mas é preciso fazer como eles... tomá-los por modelo...

[S. JOÃO MARIA VIANNEY, Sermão de Todos os Santos ]

sábado, 31 de outubro de 2009

FAZ SENTIDO REZAR PELOS DEFUNTOS? – Uma reflexão oportuna de Bento XVI


Alguns teólogos recentes são de parecer que o fogo [do purgatório] que simulta­nea­mente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. O encontro com Ele é o acto decisivo do Juízo. Ante o seu olhar, funde­‑se toda a falsidade. É o encontro com Ele que, queimando­‑nos, nos transforma e liber­ta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarro­nice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, em que o impuro e o nocivo do nosso ser se tornam evidentes, está a salva­ção. O seu olhar, o toque do seu coração cura-nos através de uma transformação certa­mente dolorosa «como pelo fogo». Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo­‑nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo totalmente de Deus. […] No momento do Juízo, experimentamos e acolhemos este prevalecer do seu amor sobre todo o mal no mundo e em nós. A dor do amor torna-se a nossa salvação e a nossa alegria. É claro que a «duração» deste quei­mar que transforma não a podemos calcular com as medidas de cronometragem deste mundo. O «momento» transformador deste encontro escapa à cronometragem terrena: é tempo do coração, tempo da «passagem» à comunhão com Deus no Corpo de Cristo.
... No antigo judaísmo, exis­te também a ideia de que se possa aju­dar, através da ora­ção, os defuntos no seu estado intermédio (cf. por exemplo, 2Mac 12,38-45: obra do I século a.C.). A prática correspondente foi adoptada pelos cristãos com grande natura­lidade e é comum à Igreja oriental e ocidental. […] Às almas dos defun­tos, pode ser dado «alívio e refrigério» mediante a Euc­aristia, a ora­ção e a esmola. O facto de que o amor possa che­gar até ao além, que seja possível um mútuo dar e re­ceber, permane­cendo ligados uns aos outros por vínculos de afecto para além das fron­teiras da morte, constituiu uma convicção fundamental do cristianismo através de to­dos os séculos e ainda hoje permanece uma experiência recon­fortante. Quem não senti­ria a necessidade de fazer chegar aos seus entes queridos, que já partiram para o além, um sinal de bonda­de, de gratidão ou mesmo de pedido de perdão? Aqui levantar-se-ia uma nova questão: se o «purgatório» con­siste simplesmente em ser purificados pelo fogo no encontro com o Senhor, Juiz e Sal­vador, como pode então intervir uma terceira pessoa ainda que parti­cularmente ligada à outra? Ao fazermos esta pergunta, devere­mos dar-nos conta de que nenhum homem é uma mônada fechada em si mesma. As nossas vidas estão em profunda comunhão entre si; através de numerosas interacções, estão concatenadas uma com a outra. Nin­guém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Conti­nuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, digo, faço e realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem. Deste modo, a minha intercessão pelo outro não é de forma alguma uma coisa que lhe é estra­nha, uma coisa exterior, nem mesmo após a morte. Na trama do ser, o meu agradeci­mento a ele, a minha oração por ele pode significar uma pequena etapa da sua purifi­cação. E, para isso, não é pre­ciso converter o tempo terreno no tempo de Deus: na comu­nhão das almas fica superado o simples tempo terreno. Nunca é tarde demais para tocar o coração do outro, nem é jamais inútil. Assim se esclarece melhor um ele­mento importante do conceito cris­tão de esperança. A nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente espe­rança também para mim [Cf. Catecsimo da Igreja Católica, n. 1032]. Como cristãos, não basta perguntarmo-nos: como posso salvar-me a mim mesmo? Deveremos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito também o máximo pela minha salva­ção pessoal. [Bento XVI, Enc. Spe Salvi, nº 48].

Fonte: Boletim Igreja Viva (Paróquia de S. Lourenço de Ermesinde)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PARTIU PARA O PAI O PADRE LUÍS KONDOR, VICE-POSTULADOR DA CAUSA DA CANONIZAÇÃO DOS PASTORINHOS DE FÁTIMA


Faleceu hoje, dia 28 de Outubro, em Fátima, o Padre Luís Kondor, Vice-Postulador da Causa da Canonização dos Pastorinhos de Fátima.
O corpo estará a partir das 18:00 de hoje, em câmara ardente, no Seminário do Verbo Divino, em Fátima.
O P. Luís Kondor era membro da Congregação do Verbo Divino.
Nasceu a 22.6.1928 em Csikvánd, na Hungria. Entre 1934 e 1939 frequenta a escola primária na sua terra.
Em 1940 entra para o internato dos Padres Beneditinos, de Gyor; posteriormente passa para o internato dos Padres Cistercienses, em Székesfehérvár.
Terminou o liceu em 1944, já depois da entrada dos russos na Hungria.
A 20.08.1946, com 18 anos de idade, entra na Congregação do Verbo Divino. Fez os primeiros votos a 8.09.1948 e começou os estudos de filosofia, ainda na Hungria.
Em Janeiro de 1949, por ordem do seu superior, fugiu para a Áustria, primeiro para Mödling e depois para Salzburg. Tendo sido também a Áustria invadida pelos russos, a 12.06.1950 refugiou-se, por ordem dos superiores, na Alemanha.
Foi ordenado presbítero a 28.08.1953, em St Augustin, na Alemanha.
Em 1954 foi enviado para Fátima, Portugal, onde chegou a 19 de Novembro desse ano.
Foi nomeado vice-prefeito do Seminário da sua congregação, cargo que exerceu durante 4 anos, dedicando-se também à pastoral vocacional na zona Norte de Portugal.
Em 8.07.1956 encontrou a Irmã Lúcia pela primeira vez; foi o primeiro de numerosos encontros ao longo dos anos (posteriormente, como Vice-Postulador terá licença para a poder visitar).
Em 1960 acompanhou D. João Pereira Venâncio, Bispo de Leiria, numa viagem de dois meses a vários países europeus. Depois desta viagem, a pedido do Bispo, ficou a trabalhar a meio tempo com o Bispo e a meio tempo no Seminário do Verbo Divino.
No Natal de 1960 foi-lhe atribuído o cargo de Vice-Postulador dos Pastorinhos, lugar que ocupou até à sua morte.
Em 1963 começou a publicar um boletim em sete línguas destinado a tornar conhecida a vida dos dois Pastorinhos e a relatar o andamento dos processos de beatificação. Para divulgação da fama de santidade dos Pastorinhos, o Bispo da diocese confiou-lhe a edição do livro «Memórias da Irmã Lúcia», que fez traduzir em diversas línguas e enviou para todos os continentes, incluindo os países sob o regime comunista.
Durante muitos anos conseguiu enviar com êxito, embora de maneira oculta, não só literatura sobre Fátima, mas também imagens de Nossa Senhora de Fátima para diferentes lugares da cortina de ferro.
Dedicou-se a diversas obras: em 1956 a construção do Monumento dos Valinhos, em 1959 a imagem de Santo Estêvão que se encontra na Basílica; de 1960 a 1965 colabora com D. João Pereira Venâncio na construção do Seminário Diocesano de Leiria, do Colégio S. Miguel e do Colégio da Marinha Grande; em 1964 a construção da Via Sacra e Capela do Calvário; de 1974-1997 colaborou na transferência de ajudas financeiras da Wel tkirche-Köln para dioceses, conventos, casas sacerdotais, paróquias e casas sociais em Portugal; de 1974-1997 colaborou com o Europäischer Hilfsfound das Conferências Episcopais da Áustria, Alemanha e da Suíça, no apoio a dioceses portuguesas; em 1979 a Construção da nova Casa Episcopal de Leiria; de 1975-1985 colaborou na construção dos novos Carmelos de Patacão (Faro), Bom Jesus (Braga) e São Bernardo (Aveiro).
Durante muitos anos, colaborou como intermediário entre instituições da Igreja alemã e obras nas dioceses Portuguesas. Entre os muitos apoios que consegue para a Igreja católica portuguesa, destaca-se: reconstrução de várias igrejas nos Açores, após o grande sismo de 1.01.1980.
Em 2000, com o apoio do Cardeal Meisner de Colónia, conseguiu que o Papa João Paulo II venha a Fátima, em 13 de Maio de 2000 beatificar os Pastorinhos, mesmo depois de já ter sido anunciada publicamente a beatificação em Roma.
A 15 de Novembro de 2004 recebeu o processo canónico da cura milagrosa atribuída aos beatos Francisco e Jacinta, que entregou em Roma, na Congregação para as Causas dos Santos.
Em Março de 2004, foi homenageado pela “Fundação Ajuda à Igreja que Sofre” comemorando os seus 50 anos de Padre e de presença em Portugal.
Em 18 de Janeiro de 2006 recebeu a insígnia da Ordem de Comendador, atribuída pelo Presidente da República Jorge Sampaio.
Por ocasião da celebração das bodas de ouro sacerdotais diz o seguinte:
“Desde a minha infância que desejo ser sacerdote. Os meus pais enviaram-me para um colégio rigoroso, para fazer de mim um homem... Com 18 anos, entrei na Congregação do Verbo Divino, para me tornar missionário. Para isso, tive que deixar a minha pátria, e com 25 anos fui ordenado sacerdote. Desde então, passaram 50 anos. Se hoje olhar para trás e me recordar destes anos da minha vida, posso-vos assegurar que sou feliz na minha vocação, e testemunhar que vale a pena dedicar-se e entregar-se a Jesus Cristo, e trabalhar pela dilatação do Reino de Deus.
Como é visível do itinerário da sua vida e obra, a divulgação da Mensagem de Fátima e a Igreja em Portugal muito devem à acção deste zeloso sacerdote, que encomendamos à misericórdia divina.
O Bispo de Leiria-Fátima, ao mesmo tempo que anuncia a morte do P. Luís Kondor, dá graças a Deus pelo dom que foi este sacerdote.

P. Jorge Guarda, Vigário Geral de Leiria-Fátima

A celebração das exéquias será na sexta-feira, dia 30, às 11:00, na Basílica do Santuário de Fátima. O sepultamento será no cemitério de Fátima.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

FÁTIMA * 13 OUTUBRO 1917 (6ª APARIÇÃO)



Em 13 de Outubro de 1917, as crianças estavam rodeadas por uma multidão de 70.000 pessoas, sob uma chuva torrencial.
Lúcia disse novamente à Senhora: "O que queres de mim?". Respondeu: "Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora dos Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias.
A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas".
Depois Lúcia lhe disse: "Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir. Se curava uns doentes e se convertia uns pecadores...". - "Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados".
E tomando um aspecto mais triste: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido".
"Quereis alguma outra coisa de mim?". - "Não quero mais nada".
Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fê-las reflectir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projectar-se no sol. Lúcia nesse momento exclamou: "Olhem para o sol!". Então aconteceu o sinal prometido, o sol extraordinariamente brilhante, mas não a ponto de cegar. O sol começou a girar sobre si mesmo, projectando em todas as direcções feixes de luz de todas as cores que reflectiam-se e coloravam as nuvens, o céu, as árvores, a multidão. Parou por certo tempo e depois recomeçou, como antes, girando sobre si mesmo. De repente parecia que se destacava do céu para precipitar-se sobre a multidão que assistia aterrorizada, caia de joelhos e invocava misericórdia.
No entanto as crianças viram ao lado do sol Nossa Senhora vestida de branco com o manto azul e São José com o Menino que abençoava o mundo.
Depois desta visão, viram O Senhor que abençoava o mundo, com Nossa Senhora das Dores a seu lado. Desaparecida esta visão, viram Nossa Senhora do Carmo.
Terminado o milagre as pessoas deram-se conta das suas roupas estarem completamente secas.